sábado, 30 de janeiro de 2010

Carta 2

Desculpem a demora da postagem, essa carta estava menos legível porque parece ter sido amassada. As partes indecifráveis estão marcadas com espaços, mas não prejudicam o entendimento da mesma.

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Campinas, 22 de Novembro de 2009

Caro padre,

Devo agradecer-lhe pelo interesse em minha causa, ainda que não tenha ajudado muito a resolver a questão. Essa noite correu tudo de maneira bastante normal para um hospital, alguns barulhos incomuns se alastrando pelos corredores vazios, respirações ofegantes, gemidos. Só uma vez durante a noite que ao acordar de um pesadelo tive a impressão de que algo caiu (ou teria voado) da janela, mas estava com tanto sono, e a com os remédios que não dei muita atenção. Mas certamente posso desconsiderar suas colocações. Hoje um médico que por aqui passou me ajudou a perceber novamente a realidade tal como ela é. A ‘visão’ que tive na noite de ontem é algo perfeitamente factivel para alguém que está passando por um tratamento como o meu, distúrbios na imaginação são perfeitamente naturais em casos como o meu. Não importa mais se aquilo que vi na madrugada de ontem era um anjo ou um demônio (mas não, eu não freqüento círculos satânicos), aquilo foi fabricado pela minha imaginação, alterada pelo trat submetendo. A realidade, padre, é que a única coisa que existe é a matéria e sobre ela nós sobrepomos nossos criativos discursos de dominação, tal como o seu catolicismo. Não, eu não pretendo me converter. Perdoe-me, eu estava muito agitado no momento em que escrevi a carta, e errei ao escrevê-la, foi um simples distúrbio emocional que felizmente passou. Não preciso mais de sua ajuda.

Grato,

(o nome foi rabiscado)

To be continued..

2 comentários:

doth disse...

nossa silas!
muito bom! muito bom, muito bom MESMO!
dá até vergonha de comentar com minha linguagem de estudante secundarista aqui =P
Vê se intimida menos, tá? =P
abração!

Shadowolf disse...

Em vez de colocar espaço nas partes ilegiveis, seria melhor se vc marcasse com: [...] ou só []. Isso porque o espaço da marcação pode se confundir com o espaço natural entre palavras e tal.